ENDOTROPIA ( ESTRABISMO CONVERGENTE ) INFANTIL

PREOCUPAÇÕES DAS CRIANÇAS E DOS PAIS

ENDOTROPIA ( ESTRABISMO CONVERGENTE ) INFANTIL: PREOCUPAÇÕES DAS CRIANÇAS E DOS PAIS

A Endotropia é uma das formas de Estrabismo infantil mais prevalecente nas populações ocidentais. No entanto, até à data, poucos foram os estudos que avaliaram a forma como a Endotropia afecta as crianças no seu dia a dia. Estes dados são importantes e deveriam ser levados em conta na tomada de decisões médicas.

O objectivo do estudo foi identificar as preocupações específicas relacionadas com a qualidade de vida ( HRQOL ) das crianças com Endotropia e dos seus progenitores.

Foram avaliadas 60 crianças dos 0 aos 17 anos com diagnóstico positivo e um progenitor de cada um deles. Não se fez distinção entre Endotropia primária e secundária e além disso foram excluídos os pacientes com patologias oculares orgânicas coexistentes ( retina, segmento anterior, órbita, perda de visão devido a lesões no sistema nervoso central ).

Mais de 2/3 dos pacientes com Endotropia tinham diagnósticos adicionais associados a esta patologia, incluindo a Ambliopia, Hipermetropia, Nistagmo ou Exotropia consecutiva.

A entrevista era composta por 12 perguntas abertas para as crianças ( apêndice A ) e 12 perguntas abertas aos pais ( apêndice B ).

As preocupações foram codificadas em preocupações especiíficas e estas, por sua vez, agrupadas por temas mais amplos, fazendo uma análise da sua frequência.

 

O que é que mais preocupa às crianças?

  • Função Visual ( a visão, o desporto, os passatempos, a leitura, as limitações, a coordenação ) 80%
  • Tratamento ( o uso de óculos, o tapa-olho, a cirurgia, os colírios ) 78%
  • Emoções ( as emoções negativas, a aparência física) 65%
  • Social ( ser diferente dos outros , os comentários, a interação social, o bulling ) 58%
  • Físicas ( a sensação de desconforto ocular ) 58%
  • Preocupação ( a preocupação, a deterioração ) 45%

 

O que é que mais preocupa os pais acerca da condição do seu filho?

  • Tratamento ( a dificuldade em asistir às consultas, o uso de óculos, a cirurgia, o tapa-olho, os custos financeiros ) 98%
  • Preocupação ( o tratamento, o futuro, a visão, a aparência, a deterioração, o bulling ) 97%
  • Emoções ( as emoções negativas, a ansiedade ) 82%
  • Solução do Problema 80%
  • Infuência no seio familiar 23%

 

Foi identificada uma ampla faixa de preocupações que refletem o impacto da Endotropia nos domínios físicos, emocionais e sociais.

Existem poucos estudos prévios que meçam o nível de preocupações das crianças com este tipo de problema. Menon e Cols realizaram um estudo no qual os participantes mostravam que a predominância das preocupações eram de ordem social ( 87,5% ). A diferênça pode estar nas diferentes características demográficas dos participantes, sendo maiores ( 15-25 anos ) e com estrabismo de maior ângulo de desviação. No presente estudo os participantes eram de menor idade e a maioria eram ortotrópicos ou microtrópicos no momento da entrevista, graças ao tratamento prévio com óculos, tapa-olhos ou cirurgia.

No entanto, a preocupação social continua a ser apontada por mais da metade das crianças e por mais de 2/3 dos pais. Muitos estudos alertam-nos do impacto psicológico negativo do estrabismo em crianças maiores e adultos.

A elevada proporção de crianças e pais que apontam as preocupações relacionadas com a função visual, pode explicar-se pela presença de comorbidades tais como erros refractivos e Ambliopia, assim como dos seus tratamentos ( tapar o olho, atropina) que comprometem a função visual afectando o dia a dia do paciente.

Todos estos dados poderão ser usados para o desenvolvimento de questionários que quantifiquem os efeitos da Endotropia na qualidade de vida das crianças e dos seus pais.

Fontes relacionadas: Liebermann L, Leske DA, Castañeda YS, Hatt SR, Wernimont SM, Cheng CS, Birch EE, Holmes JM. Childhood esotropia: child and parents concerns. J AAPOS. 2016 Aug;20(4):295-300.